Perícia do celular de Daniel Vorcaro indica menções a Dias Toffoli, afirma PF
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A Polícia Federal concluiu na quarta-feira (11) a perícia em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um relatório com informações extraídas do aparelho.
Segundo apuração divulgada pela CNN Brasil, conversas localizadas nos celulares mencionam autoridades públicas e incluem referências ao ministro Dias Toffoli, do STF. O material foi entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao ministro Edson Fachin.
O telefone de Vorcaro foi apreendido na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, instituição liquidada em novembro. No STF, Toffoli aparece relacionado ao caso por ser o relator da investigação.
Ainda de acordo com investigadores ouvidos pela CNN Brasil, há menções a pagamentos e, em alguns trechos, referências consideradas cifradas por uma fonte. Uma das frentes da apuração trata de uma possível transferência de recursos envolvendo uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayaya, descrito como frequentado por Toffoli e que pertenceu aos irmãos do ministro.
Em nota, o gabinete do ministro rejeitou as referências ao nome dele e afirmou: "ilações". O mesmo posicionamento declarou que não haveria fundamento para alegar suspeição no caso Master e acrescentou que o pedido da PF nesse sentido se basearia em "ilações " e não teria respaldo jurídico, citando o artigo 145 do Código de Processo Civil.
A defesa de Daniel Vorcaro também se manifestou e atribuiu preocupação ao que chamou de exposição indevida. Em declaração, afirmou: "A defesa de Daniel Vorcaro manifesta preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa. O respeito ao contraditório e ao devido processo legal é condição essencial para a correta apuração dos fatos".
Os advogados ainda declararam: "Tudo o que se espera dos responsáveis pela investigação é que exerçam suas atribuições de forma isenta e imparcial, por se tratarem de representantes do Estado com papel fundamental para a democracia." E concluíram: "A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais".
No andamento do caso, a PF questionou decisões atribuídas a Toffoli, incluindo uma determinação inicial relacionada ao armazenamento de bens apreendidos. Parte das apurações começou na primeira instância e, em dezembro, Toffoli decidiu que novas medidas dependeriam de sua autorização, levando a Justiça Federal a remeter o conjunto do caso ao Supremo.
No pano de fundo da investigação, consta a informação de que o Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs com promessa de juros acima das taxas de mercado, sem comprovação de liquidez para honrar os títulos no futuro.
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