Dorothy Gibson: de sobrevivente do Titanic a uma das maiores estrelas do cinema mudo
Aventuras Na História
Considerada uma das maiores atrizes americanas do mundo, Dorothy Gibson tornou-se a pioneira do cinema mudo ainda no início do século 20. No entanto, a estrela ficou muito mais famosa após sobreviver ao naufrágio do Titanic e por atuar no primeiro filme baseado na tragédia.
Nascida no dia 17 de maio de 1889, a estrela perdeu seu pai John A. Brown quando tinha apenas três anos de idade. Viúva, sua mãe Pauline Caroline Boesen acabou se casando com John Leonard Gibson, que a batizou com o seu sobrenome. Ainda jovem, contracenou em diversas produções de teatro, como cantora e dançarina, sendo a mais relevante o musical The Dairy Maids (1907), exibido na Broadway.
Em 1909, um ano após se casar com George Henry Battier, Jr., a atriz se tornou uma das modelos mais influentes, ao posar para o famoso artista Harrison Fisher. Sua imagem era recorrente em pôsteres, cartões postais e ilustrações de livros. Bela e atraente, estampou capas de diversas revistas famosas, como Cosmopolitan, Ladies Home Journal e Saturday Evening Post.
Sua participação nos cinemas começou em 1911, quando o agente teatral Pat Casey a inseriu na Independent Moving Pictures Company, e posteriormente no Lubin Studios. Em julho do mesmo ano, a atriz foi contratada para ser a protagonista da filial americana da Éclair Studios, com sede em Paris. Aclamada pela crítica, atuou em novelas populares como Miss Masquerader (1911) e Love Finds a Way (1912), e emocionou no drama histórico Hands Across the Sea (1911).
No entanto, Dorothy Gibson foi consagrada por representar a si mesma em Saved from the Titanic (1912), primeiro filme sobre este naufrágio. Após uma férias de seis semanas com a sua mãe, Gibson retornou ao Titanic para fazer uma sessão fotográfica. Durante o trágico episódio que marcou a História, Dorothy estava no salão com os amigos. A atriz conseguiu escapar com outros dois conhecidos pelo Lifeboat # 7, o primeiro barco salva-vidas lançado ao mar.
Mesmo abalada, a jovem foi convencida pelo seu agente a estrear um filme sobre o naufrágio, assim que chegou em Nova York. A trama é baseada na sua experiência pessoal e todo o cenário foi escrito pela própria atriz. A produção foi um sucesso na América, Grã-Bretanha e França, mas durante um incêndio no Eclair Studios, em 1914, em Nova Jersey, todas as impressões foram perdidas e destruídas pelas as chamas.
Dorothy Gibson, morreu em 1946, aos 56 anos, na França, após um ataque cardíaco em seu apartamento. Sua herança e propriedade foram divididas entre seu amante, Emilio Antonio Ramos, e sua mãe. Embora a fama meteórica, o único filme recuperado pelos colecionadores David e Margo Navone é a comédia A Lucky Holdup (1912).