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Jovens e apostas, uma combinação perigosa!
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Jovens e apostas, uma combinação perigosa!

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Anamaria
08/02/2026 16h30
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Fáceis de acessar, disponíveis 24 horas por dia e fortemente divulgadas nas redes sociais, as apostas esportivas e os jogos online se tornaram parte do cotidiano de muitos jovens. O problema é que essa combinação tem colocado adolescentes e adultos jovens em uma zona de risco cada vez mais preocupante.

Dados da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) indicam que cerca de 11 milhões de brasileiros fazem uso abusivo de apostas. Entre eles, a faixa etária até os 25 anos aparece como a mais vulnerável ao desenvolvimento de comportamentos compulsivos.

Um cérebro ainda em formação

Do ponto de vista biológico, adolescentes e jovens adultos partem em desvantagem. Segundo a Academia Americana de Pediatria, o cérebro humano só atinge a maturidade plena por volta dos 25 anos. Até lá, áreas responsáveis pelo controle de impulsos, avaliação de riscos e tomada de decisões, como o córtex pré-frontal, ainda estão em desenvolvimento.

Isso significa que recompensas rápidas, estímulos constantes e a promessa de ganhos imediatos têm um impacto muito maior nessa fase da vida. “O jovem busca excitação, pertencimento e recompensa imediata, e o jogo oferece tudo isso de forma rápida e contínua”, explica o psicólogo Cristiano Costa.

Normalização do risco

O ambiente digital amplia esse cenário. Plataformas de apostas funcionam sem interrupção, e os mecanismos de controle de idade ainda são falhos. Além disso, jogos aparentemente inofensivos, como aqueles que usam recompensas aleatórias (loot boxes), introduzem desde cedo a lógica da aposta.

Um estudo do governo de Massachusetts aponta que crianças expostas a jogos de azar antes dos 12 anos têm até quatro vezes mais chances de desenvolver problemas relacionados ao jogo na vida adulta.

As redes sociais também cumprem um papel decisivo. Influenciadores e streamers patrocinados por casas de apostas expõem milhões de seguidores a esse universo, muitas vezes sem qualquer filtro etário. “O excesso de opções e a exposição constante criam uma sensação de normalidade, quando, na prática, o risco é alto”, observa Cristiano.

Um hábito arriscado

Um levantamento inédito do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) mostrou que 38,6% dos apostadores brasileiros apresentam algum grau de risco ou transtorno relacionado ao jogo. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, o número é ainda mais alarmante: 55,2% estão na zona de risco, segundo a escala internacional Problem Gambling Severity Index (PGSI).

Entre os comportamentos mais frequentes estão apostar mais do que se pode perder e tentar recuperar prejuízos com novas apostas, um padrão clássico de compulsão.

Impactos vão além do dinheiro

As consequências do vício em jogos não se limitam às finanças. Estudos do Centro Canadense de Saúde Mental e Vício mostram que entre 4% e 8% dos adolescentes já apresentam problemas significativos com apostas, com impactos diretos na saúde mental, no desempenho escolar e nas relações sociais.

Ansiedade, depressão, isolamento e endividamento precoce aparecem com frequência neste grupo. “Embora não envolva substâncias químicas, o comportamento de apostar compartilha características comuns com outros tipos de dependência, como perda de controle, tolerância e sintomas de abstinência”, aponta pesquisa da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.

 

Jovens são mais vulneráveis a apostas e bets. Foto: FreePik
Jovens são mais vulneráveis a apostas e bets. Foto: FreePik

Proteja seu filho

Falar sobre jogos e apostas deixou de ser opcional. Algumas atitudes ajudam a reduzir riscos e abrir espaço para a prevenção:

Manter o diálogo aberto
Conversar sem julgamento é essencial. Perguntar, ouvir e explicar os riscos ajuda o jovem a se sentir seguro para falar sobre o tema.

Acompanhar o uso de tecnologia
Observar aplicativos, jogos e conteúdos consumidos nas redes sociais permite identificar sinais de alerta precocemente.

Estabelecer limites claros
Definir regras para uso de celular, tempo online e acesso a plataformas financeiras ajuda a reduzir a exposição.

Falar sobre dinheiro desde cedo
Ensinar noções básicas de orçamento, perdas e ganhos ajuda o jovem a entender que apostas não são renda.

Ficar atento a mudanças de comportamento
Isolamento, irritabilidade, queda no rendimento escolar e pedidos frequentes de dinheiro podem ser sinais de alerta.

Buscar ajuda quando necessário
Diante de qualquer suspeita de comportamento compulsivo, procurar orientação psicológica especializada faz diferença.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1504, de 16 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.

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Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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