Como a Lua interfere as marés? Cientistas respondem
Bons Fluidos

Se você já observou o mar avançar e recuar ao longo do dia, já testemunhou um dos fenômenos mais fascinantes da natureza: as marés. Esse sobe e desce do nível da água não acontece por acaso. Ele é resultado de uma verdadeira “dança” entre a Terra, a Lua e, em menor intensidade, o Sol.
De forma simples, as marés são variações no nível dos oceanos, que podem ser percebidas principalmente nas regiões costeiras. Mas o que realmente está por trás desse movimento?
A força invisível da Lua
A principal responsável por esse fenômeno é a Lua. Mesmo a cerca de 385 mil quilômetros de distância, ela exerce uma força gravitacional constante sobre a Terra – e, especialmente, sobre os oceanos.
Como a água é fluida e se movimenta com mais facilidade do que os continentes, ela responde de forma mais evidente a esse “puxão” gravitacional. Assim, formam-se duas elevações de água: uma voltada para a Lua e outra no lado oposto do planeta. Esse movimento cria, ao longo do dia, duas marés altas e duas marés baixas.
Por que a distância da Lua importa
A órbita da Lua ao redor da Terra não é perfeitamente circular. Ela varia entre momentos em que está mais próxima e mais distante. Quando está no ponto mais próximo, chamado de perigeu, a força gravitacional é mais intensa. Nesse caso, como explica a Agência Espacial Europeia, “a força da maré é 20% maior do que a média”. Já quando está mais distante, no chamado apogeu, essa força diminui, tornando as variações do nível do mar mais suaves.
O papel do Sol nesse equilíbrio
Embora a Lua seja a principal influência, o Sol também participa desse fenômeno. Mesmo sendo muito mais massivo, ele está muito mais distante. Por isso, seu efeito sobre as marés é menor. Ainda assim, quando Sol, Terra e Lua se alinham, ocorre um reforço dessas forças. Essas são as chamadas marés mais intensas, com níveis mais altos e mais baixos do que o habitual. Elas acontecem, em média, a cada duas semanas. Por outro lado, quando Sol e Lua formam um ângulo de 90 graus em relação à Terra, suas forças se equilibram parcialmente, dando origem às chamadas marés mais suaves.
Nem todos os lugares sentem o mar da mesma forma
Apesar de o fenômeno ser global, a intensidade das marés varia bastante de região para região. Isso acontece porque fatores como o formato do litoral, a profundidade do oceano e até a presença de baías ou estreitos influenciam o comportamento da água. Em alguns locais, a diferença entre maré alta e baixa é quase imperceptível. Em outros, pode ultrapassar vários metros.
O clima também entra nessa equação
Além da influência dos astros, o clima tem um papel importante no nível do mar. Ventos fortes podem empurrar a água em direção ou para longe da costa, alterando a percepção das marés. Tempestades e furacões, por exemplo, podem provocar elevações muito maiores do que as causadas apenas pela gravidade da Lua.
E se a Lua não existisse?
Pode parecer uma hipótese distante, mas ela ajuda a entender a importância desse equilíbrio. Sem a Lua, as marés ainda existiriam por influência do Sol – mas seriam muito mais fracas, cerca de um terço do que são hoje.
Essa mudança impactaria diretamente os ecossistemas marinhos, já que muitas espécies dependem do ritmo das marés para se alimentar, se reproduzir e sobreviver. Além disso, as correntes oceânicas, que ajudam a regular o clima do planeta, também seriam afetadas.
Um ritmo que sustenta a vida
Muito além de um espetáculo natural, as marés são parte essencial do funcionamento da Terra. Elas ajudam a renovar nutrientes, movimentar correntes e criar ambientes únicos para diversas espécies. A Lua, silenciosa no céu, exerce uma influência constante e delicada sobre o planeta – lembrando que, mesmo à distância, tudo está conectado.
No fim, observar o vai e vem do mar pode ser também um convite à contemplação: uma forma de perceber que, assim como as marés, a vida também se move em ciclos – e tudo faz parte de um equilíbrio maior.
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