Ano com muitos feriados acende alerta para risco de trombose em viagens longas
Anamaria

Com um calendário repleto de feriados prolongados ao longo do ano, muitas pessoas aproveitam a oportunidade para viajar. No entanto, passar horas sentado durante trajetos longos pode trazer riscos à saúde entre eles, a trombose venosa, uma condição séria que pode evoluir para complicações graves. A cirurgiã vascular Dra. Letícia Costa, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), chama atenção para o problema e reforça a importância da prevenção. “Quando a pessoa permanece muito tempo sentada, há redução da movimentação das pernas. Isso compromete a circulação sanguínea e favorece a formação de trombos”, explica a especialista.
Dados de um levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular mostram a dimensão do problema no país: entre janeiro de 2012 e agosto de 2023, mais de 489 mil brasileiros foram internados para tratamento de tromboses venosas. Apenas nos oito primeiros meses de 2023, cerca de 165 pessoas foram hospitalizadas todos os dias na rede pública por causa da doença.
Segundo Dra. Letícia, a chamada trombose associada à viagem costuma ocorrer em deslocamentos com duração superior a três horas. “A trombose venosa acontece quando um coágulo se forma dentro de uma veia, geralmente nas pernas, bloqueando parcial ou totalmente o fluxo sanguíneo”, explica. “O grande perigo é quando um fragmento desse trombo se desprende e migra para os pulmões, causando uma embolia pulmonar, que pode ser fatal.”
Fatores de risco e alerta para alguns sinais são importantes
Embora qualquer pessoa possa desenvolver o problema, alguns fatores aumentam o risco, como obesidade, sedentarismo, histórico familiar da doença e uso de hormônios. “Pacientes que já tiveram trombose ou possuem histórico familiar devem procurar avaliação médica antes de realizar viagens longas. Assim conseguimos identificar fatores de risco e definir medidas preventivas individualizadas”.
Em alguns casos, o médico pode recomendar o uso de meias de compressão durante o trajeto. “Essas meias exercem maior compressão na região do tornozelo e ajudam a melhorar o retorno do sangue das pernas para o coração”, explica.
A boa notícia é que atitudes simples podem ajudar a reduzir significativamente o risco durante deslocamentos prolongados. “Levantar-se e caminhar a cada duas ou três horas é uma das principais medidas preventivas. Também é importante movimentar os pés e tornozelos enquanto estiver sentado, manter-se bem hidratado e evitar o consumo excessivo de álcool”.
A especialista explica que movimentos simples, como elevar e abaixar os pés ou girar os tornozelos, ajudam a ativar a musculatura da panturrilha, considerada uma importante “bomba” para o retorno do sangue ao coração. Mesmo após a viagem, é importante ficar atento aos sinais de alerta. “Dor súbita em uma das pernas, inchaço, endurecimento da panturrilha, vermelhidão e aumento da temperatura local podem indicar trombose”.
Ainda, é preciso ficar de olho nas pernas porque veias mais aparentes também podem surgir e devem ter acompanhamento. Caso esses sintomas apareçam, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente. “O tratamento geralmente envolve o uso de anticoagulantes, que ajudam a estabilizar o trombo e reduzem o risco de embolia pulmonar. Informação e prevenção são fundamentais, especialmente em um ano com tantos feriados. “Planejar a viagem também significa cuidar da saúde. Pequenas mudanças de hábito durante o trajeto podem evitar uma complicação grave”, conclui.
