Prato “fit” pode enganar: o que realmente faz uma refeição ser nutritiva
Anamaria

Muitas pessoas associam alimentação saudável apenas a pratos com poucas calorias ou porções menores. No entanto, montar uma refeição equilibrada envolve outros fatores que vão além desses critérios.
O primeiro passo para uma alimentação adequada está na escolha dos alimentos que compõem o prato. “A qualidade dos nutrientes deve ser a primeira preocupação. O prato deve ser composto por alimentos ricos em nutrientes e coloridos: frutas, verduras e legumes, grãos, carboidratos, gorduras de boa qualidade e proteínas magras”, explica Cintya Bassi, coordenadora de Nutrição e Dietética do São Cristóvão Saúde.
De acordo com ela, a quantidade ingerida varia de pessoa para pessoa e deve considerar fatores como nível de fome, rotina e necessidades individuais.
O que é densidade nutricional
Um dos conceitos importantes quando se fala em alimentação equilibrada é o de densidade nutricional. Esse termo se refere à quantidade de nutrientes presentes em relação ao número de calorias de um alimento. Alimentos como frutas, legumes, verduras e ovos costumam ter alta densidade nutricional. Isso significa que oferecem vitaminas, minerais e compostos importantes para o organismo sem apresentar grande carga calórica.
Já alimentos muito processados costumam apresentar o cenário oposto: concentram calorias, mas oferecem menor quantidade de nutrientes essenciais. “Quanto mais processado, menos nutrientes e mais aditivos químicos. Isso dificulta a absorção de nutrientes, aumenta o consumo de calorias vindas de açúcares e gorduras, e eleva o risco de doenças crônicas a longo prazo”, alerta Cintya.
Combinação de alimentos também faz diferença
Além da escolha dos ingredientes, a forma como eles são combinados no prato também influencia o aproveitamento dos nutrientes pelo organismo. Algumas combinações tradicionais da alimentação brasileira ajudam nesse processo. O arroz com feijão, por exemplo, forma uma proteína de melhor qualidade quando consumidos juntos.
Outro exemplo é a salada acompanhada de azeite. A presença da gordura favorece a absorção de vitaminas lipossolúveis presentes nos vegetais. Variar os alimentos ao longo da semana também contribui para ampliar a ingestão de nutrientes. Diferentes cores no prato costumam indicar a presença de compostos variados, como vitaminas, minerais e antioxidantes.
O perigo dos produtos “fitness”
Um erro comum de quem tenta melhorar a alimentação é confiar apenas em produtos rotulados como “fit” ou “fitness”. Esses itens nem sempre representam escolhas mais nutritivas. Muitos produtos industrializados com esse tipo de rótulo podem conter quantidades elevadas de açúcar, gordura ou aditivos, mesmo sendo apresentados como alternativas saudáveis. Outro equívoco frequente é eliminar grupos alimentares inteiros sem orientação profissional ou concentrar toda a atenção na contagem de calorias.
Como montar refeições equilibradas no dia a dia
Para quem tem rotina corrida, manter uma alimentação equilibrada pode parecer difícil, mas algumas estratégias simples ajudam a tornar o processo mais prático.
Planejar minimamente o que será consumido ao longo da semana pode evitar decisões rápidas baseadas em alimentos ultraprocessados. Manter em casa ingredientes simples e versáteis também facilita a preparação de refeições rápidas. Entre as opções que podem ajudar estão ovos, frutas e legumes congelados.
Para Cintya, pequenas escolhas no dia a dia fazem diferença na qualidade da alimentação. “Aprender a montar pratos rápidos e evitar depender de ultraprocessados” é uma das estratégias mais eficazes para sustentar uma alimentação equilibrada no dia a dia, conclui a nutricionista.
Resumo:
Nem todo prato considerado “fit” garante uma alimentação equilibrada. Especialistas explicam que a qualidade dos alimentos, a variedade nutricional e a combinação correta dos ingredientes são fatores essenciais para uma refeição realmente saudável.
