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A curiosa história da planta que consegue 'copiar' outras espécies
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A curiosa história da planta que consegue 'copiar' outras espécies

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Aventuras Na História
25/02/2025 22h00
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https://timnews.com.br/system/images/photos/16471421/original/open-uri20250225-56-lx4wiz?1740521031
©Divulgação/Felipe Yamashita
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A Boquila trifoliolata, uma planta endêmica do Chile e da Argentina, tem surpreendido cientistas com sua habilidade única de "copiar" as folhas de outras plantas.

Esse fenômeno, conhecido como mimetismo, já era conhecido, mas uma pesquisa recente, liderada pelo cientista brasileiro Felipe Yamashita, revelou uma faceta ainda mais fascinante da planta: ela é capaz de imitar folhas de plantas mesmo sem estar em contato direto com elas.

A Boquila é uma espécie versátil, capaz de reproduzir o formato, tamanho e até a cor das folhas de diversas plantas ao seu redor. O estudo realizado por Yamashita, em colaboração com Jacob White, propôs uma nova hipótese: a planta pode "ver" o ambiente ao seu redor e responder a ele.

Anteriormente, acreditava-se que o mimetismo da Boquila dependia do contato físico com a planta hospedeira, mas os experimentos de Yamashita mostraram que ela também pode imitar folhas de modelos artificiais, sugerindo que o processo pode envolver algum tipo de percepção visual ou outro mecanismo não antes considerado.

O estudo de Yamashita e sua equipe, publicado na revista Plant Signaling & Behavior, foi premiado com o Ig Nobel 2024, um prêmio que celebra pesquisas inusitadas e curiosas. 

Experimentos

Em seus experimentos, o cientista brasileiro usou modelos de plástico para isolar a Boquila de qualquer influência externa, como substâncias voláteis ou micróbios das plantas hospedeiras. 

O resultado foi a constatação de que a planta ainda mudava o formato de suas folhas para corresponder aos modelos, sugerindo que ela detectava o ambiente de uma maneira que não se limitava ao simples contato físico.

Conforme as plantas cresceram, elas começaram a imitar os modelos de plástico. Isso levou a nossa equipe a considerar uma nova hipótese: a planta pode ter algum tipo de 'visão' ou percepção do ambiente ao seu redor", destacou em entrevista ao g1.

Conforme conta o site Vox, em 2014, o ecologista chileno Ernesto Gianoli havia observado que a Boquila trifoliolata crescia sobre outras plantas como uma trepadeira, adaptando o formato de suas folhas de acordo com a planta hospedeira. Em um artigo publicado sobre o fenômeno, ele propôs duas hipóteses para explicar esse comportamento.

A primeira sugeria que a Boquila capturava substâncias voláteis — compostos químicos liberados pelas plantas e que se dispersam pelo ar — da planta hospedeira, o que provocaria a mudança no formato de suas folhas. A segunda hipótese indicava que micróbios da planta hospedeira eram transferidos para a Boquila, alterando seu material genético e, assim, modificando o formato das folhas.

Yamashita, por sua vez, propôs que a planta utiliza células na superfície de suas folhas, que funcionam como lentes para direcionar a luz e promover o crescimento da planta em direção a estímulos específicos. Esse processo envolve a distribuição de auxinas, hormônios responsáveis pelo crescimento das plantas, que se concentram em diferentes áreas das folhas conforme a planta responde ao ambiente.

A ideia é que a Boquila usa essas células e elementos para 'ver' o ambiente ao seu redor. Ela pode concentrar as auxinas em um lado da folha, fazendo-a crescer para aquele lado conforme reage aos estímulos externos. Assim, a folha assume uma forma específica”, explicou ao g1.  
boquila
As folhas apontadas pelas setas amarelas pertencem à Boquila, com cada uma imitando uma espécie distinta; na imagem H, a Boquila aparece em sua forma original, sem imitar outras plantas / Crédito: Divulgação/Felipe Yamashita

Desafios

Ainda assim, muitos detalhes precisam ser confirmados em novos experimentos. Durante a realização da pesquisa, a equipe enfrentou desafios logísticos, como a dificuldade de obter mais plantas e a limitação do período de coleta, que ocorre apenas entre março e julho, já que a Boquila não cresce no inverno. 

No experimento, a equipe dispôs de apenas quatro plantas de Boquila para realizar os testes, o que impediu a formação de um grupo de controle adequado — aquele utilizado para comparar os resultados e avaliar a eficácia da hipótese científica. Além disso, a planta tem se mostrado difícil de propagar, o que limita o número de amostras disponíveis para estudos, repercute o g1.

Os experimentos mais recentes estão explorando novas formas de modelar os testes, usando formatos 2D para evitar críticas relacionadas ao contato mecânico com os modelos de plástico, como ocorreu nos estudos anteriores.

Embora os resultados completos ainda não tenham sido publicados, a pesquisa tem gerado grande interesse na comunidade científica, sugerindo que a Boquila pode ter formas de percepção ainda desconhecidas.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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