Estudo desvenda origens dos Hunos, grupo nômade que causou queda do Império Romano
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A origem dos Hunos europeus, um grupo nômade que desempenhou um papel crucial na queda do Império Romano, sempre foi envolta em mistério. Contudo, uma nova pesquisa que analisou o DNA de esqueletos datados do século 5 ao 6 sugere que esses indivíduos eram um grupo heterogêneo com algumas ligações ao Império Xiongnu, situado na Mongólia.
Publicada na revista PNAS, a investigação divulgada nesta segunda-feira, 24, examinou os genomas de 370 esqueletos, buscando estabelecer conexões entre os Hunos da Europa dos séculos 4 e 5 e grupos nômades da Ásia Central, como os Xiongnu, cuja civilização alcançou seu apogeu entre 200 a.C. e 100 d.C. Os resultados mostraram uma diversidade genética significativa entre os Hunos.
A origem dos Hunos
A discussão sobre as origens dos Hunos persiste há séculos. Alguns historiadores sugerem uma relação direta com o Império Xiongnu, devido a semelhanças culturais, como arcos e flechas semelhantes e práticas de modificação craniana. No entanto, um estudo anterior publicado em 2024 na revista Science Advances indicou que os Xiongnu também apresentavam uma grande diversidade genética.
Na pesquisa mais recente, o autor principal Guido Gnecchi-Ruscone, arqueogeneticista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva na Alemanha, e sua equipe dividiram seu conjunto de dados genéticos em três grupos: indivíduos do estepe eurasiano oriental enterrados durante o período Xiongnu (entre 209 a.C. e 98 d.C.); pessoas da Ásia Central falecidas entre os séculos 2 e 6; e sepultamentos no estilo Hun da Bacia dos Carpatos (que abrange a moderna Hungria) entre os séculos 4 e 6.
Os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada compartilhamento de segmentos de identidade por descendência (IBD), que identifica segmentos longos de DNA herdados de um ancestral comum.
Os resultados revelaram vários pares de indivíduos relacionados entre os três grupos estudados; no entanto, as relações eram mais fortes dentro dos próprios grupos. Um total de 97 indivíduos foram conectados por IBD ao longo do estepe da Ásia Central até a Bacia dos Carpatos ao longo de quatro séculos, indicando que esses grupos nômades mantinham laços genéticos trans-eurasiáticos.
Além disso, dois indivíduos Xiongnu enterrados em tumbas de alto status foram identificados como ancestrais diretos de vários indivíduos da época Hun — evidência de uma conexão genética entre os dois grupos. Contudo, a maioria dos Hunos estudados apresentava variações de ancestralidade asiática do nordeste.
Os pesquisadores afirmaram que "a população do reino Hun na Europa era geneticamente muito heterogênea" e, além das poucas ligações genéticas diretas encontradas, "não há evidências da presença de comunidades maiores de ascendência oriental/estepe nesse período".
Embora análises anteriores de DNA tenham sugerido que alianças matrimoniais focadas em mulheres da elite eram importantes para os Xiongnu, as práticas sociais dos Hunos ainda não foram suficientemente investigadas.
Em comunicação com o Live Science, Gnecchi-Ruscone destacou que "tanto indivíduos masculinos quanto femininos foram encontrados enterrados nas raras e excepcionais tumbas do tipo oriental da época Hun", mas reconheceu que "não tínhamos dados adequados para explorar as práticas sociais da sociedade do período Hun que descendia do estepe, dado o número reduzido de indivíduos".
Um esqueleto intrigante é o de uma mulher huno com idade entre 35 e 50 anos, cujo crânio alongado foi encontrado junto a brincos de ouro no local conhecido como Pusztataskony na Hungria, datando da primeira metade do século 5.
Gnecchi-Ruscone apontou que "ela é uma das indivíduos com linhagens genéticas descendentes da elite do período Xiongnu que analisamos", sugerindo que a prática de modificação craniana pode ter sido transmitida ao longo das gerações.
Os pesquisadores concluíram que os Hunos europeus, que migraram para a Europa Oriental na década de 370, formavam um grupo geneticamente e culturalmente diverso — um achado que indica um processo mais complexo de mobilidade e mistura populacional do que uma simples migração em larga escala.
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